segunda-feira, 19 de novembro de 2007

A Educação na Idade Primitiva

1. Introdução

A educação ocorre desde os primórdios e é a forma mais comum de transmissão de conhecimentos. Neste contexto, pretende-se fazer uma análise daquilo que foi a educação na idade primitiva, se realmente existiu e quais as suas principais características, de modo a fazer-se uma análise comparativa com a educação em outros períodos históricos.

Entretanto, para compreender os factos históricos da educação precisamos ter presentes as diferentes formas de pensar de cada época, saber porquê e como surgiram essas diferentes formas de pensar. Portanto, precisamos de considerar certos aspectos como fundamentais, aqueles que mais se destacam ou que são o elemento fundamental da educação em cada período para que seja posteriormente observada essa comparação e de modo a evitar erros crassos de interpretação da educação nos períodos em estudo.

O que nos propomos a apresentação é uma descrição minuciosa daquilo que foi a educação na idade primitiva.


  1. Educação entre os povos primitivos

Segundo Piletti (1997: 43), a primeira dificuldade que se tem entre estes povos é de atribuição conveniente de um nome. Uns consideram-nos de selvagens. Esses povos não são, se entendermos esta palavra, seres humanos que vivem errantes, sem lei, sem convenções, sem organização social e familiar. Os outros os chamam de povos não civilizados. Portanto, se esses povos não possuem nosso género de cultura, então, podemos afirmar que tem uma outra, adaptada a sua natureza e a sua condição graças a qual desenvolvem e desfrutam a sua vida. Então, não existem agrupamentos humanos desprovidos de civilização.

Sendo assim, poderemos chama-los de primitivos, se entendermos por essa palavra o estado de civilização que parece mais simples, menos avançado que a do homem actual.

2.1.Meios e fins da educação primitiva

Segundo Piletti (1997: 45), a educação entre estes povos se apresenta sub a forma mais simples e rudimentar, pois não há educação sistemática, nem instituições escolares. Todavia, existem certas épocas e lugares determinados para a realização de uma educação intencional, visto que a época preferida é a da puberdade dos educandos e quanto aos lugares existem as chamadas casas dos homens, santuários de bosques sagrados.

Para além de influência inconsciente do meio social, na educação entre os povos primitivos, nota-se também uma preocupação clara e explicita pela formação das novas gerações, segundo certos ideais éticos. Entretanto, o objectivo imediato desta formação é a satisfação das necessidades materiais, relativas a alimentação, ao vestiário e ao abrigo.

Entre os povos primitivos encontramos três formas fundamentais de educação:

* Educação Física;

* Educação Intelectual;

* Educação Moral.

1.1.1. Educação Física

O papel do jogo e da imitação tem uma importância relevante na educação dos povos primitivos, pois brincando e imitando as crianças aprendem todas as actividades dos adultos.

Este fenómeno esteve evidente nas tribos guerreira, onde as crianças faziam espadas, arcos, escudos e em tribos consideradas de pacíficas onde imitavam as actividades dominantes como a tecelagem, a construção de cabanas, a confecção de vasos e adornos, os trabalhos do campo, a caça, a pesca e a navegação. Esses brinquedos e jogos imitativos os preparavam para a vida real.

1.1.2. Educação Intelectual

Esta educação visava tornar a criança capaz de resolver as suas necessidades individuais e, mais tarde, as da família e da comunidade.

A educação intelectual começa cedo e varia conforme o sexo e a maneira de viver de cada tribo. Quer isto dizer que, se o jovem deve viver da caça e da pesca, é habituado desde cedo ao exercício de todas as actividades relacionadas com a pesca e a caça, a construir embarcações, a manejar as armas com precisão e a desenvolver sua agilidade física. Com efeito, suas faculdades intelectuais se tornam precisas, ágeis e eficazes, contribuindo automaticamente pelo desenvolvimento intelectual do indivíduo.

Por outro lado, se o jovem é destinado aos trabalhos agrícolas então exercita-se em todas actividades relacionadas com a agricultura e a criação de animais e como consequência a sua inteligência se desenvolve e se aperfeiçoa.

No que se refere a educação das raparigas: visa preparar a mulher para o lar, para a criação dos filhos e para auxiliar o marido nas suas ocupações.

1.1.3. Educação Moral

Os primitivos procuravam transmitir às suas gerações novos preceitos morais e espirituais, dentre eles o respeito aos pais e aos mais velhos, o culto dos antepassados, o sofrimento de honra, a fidelidade a palavra, a obediência a autoridades legítimas.

A iniciação, a puberdade e o acontecimento de maior importância da educação dos primitivos e se reveste de um carácter de formação moral. A iniciação representa a recepção solene dos adolescentes na comunidade dos adultos. Nesta fase onde se evidenciam os ritos de iniciação, os adolescentes são submetidos a provas cruéis e brutais: extracções de dentes, tatuagens, escarificações, circuncisão. Estes testes visam avaliar a coragem e a resistência ao sofrimento por parte das iniciativas. Para além destes actos, eles recebem relativas as leis do matrimónio, as tradições sagradas da tribo, as precursões a serem tomadas contra vícios degradantes, a fidelidade ao chefe da nação. Por outro lado, dão aos jovens conselhos sobre a guerra, a caça, a pesca, as artes manuais: exortam também a combaterem com coragem a protegerem os fracos e defenderem os humildes.

  1. A Educação através da Imitação

Segundo Piletti (1997: 46), uma das formais pelas quais a criança adquire os conhecimentos necessários entre os povos primitivos é a imitação. Nos primeiros anos de vida a imitação é inconsciente. As crianças brincam com pequenas reproduções dos instrumentos utilizados pelos adultos.

Numa segunda etapa a imitação torna-se consciente. As crianças participam das actividades dos adultos e aprendem por imitação. Essa segunda etapa tem início quando se começa a exigir trabalho da criança. Ela vai aprendendo, pouco a pouco, as diversas ocupações da tribo: construção de utensílios; a pesca e a caça, entre os povos caçadores; guarda do gado, entre os pecuários; trabalhos agrícolas, entre os povos sedentários.

  1. A Educação e as Cerimonias de Iniciação

“Entre todos os povos primitivos encontramos as cerimónias de iniciação, que possuem especial valor educativo. Em algumas tribos elas são breves, em outras duram anos. Geralmente tais cerimónias se verificam desde o início da adolescência até a admissão do jovem à comunidade adulta da tribo.

Essas cerimónias têm um valor moral: através das mutilações a que se deve submeter, o menino aprende a suportar a dor; e, pela exposição ao tempo e pela falta de alimentação, aprende a tolerar as circunstâncias difíceis e a fome.

As cerimónias tradicionais possuem também um valor social e político. Através da subserviência aos dirigentes, o menino aprende a obediência e a reverencia aos mais velhos e aprende, igualmente, a servir aos idosos e a suprir as necessidades da família.

Outro valor das cerimónias de iniciação é o religioso. Esse valor evidencia-se pelo facto de o totem ser o centro do culto nas cerimónias. O totem – geralmente um animal e as vezes um vegetal – é considerado o antepassado mítico da tribo, de quem esperam protecção.

No totem centralizam-se os mitos religiosos – explicações que os povos primitivos conseguem dar ao modo de agir das forças da natureza.

As cerimónias de iniciação revestem-se também de um valor prático: nessas cerimónias, os jovens a serem iniciados aprendem os métodos de capturar certos animais, as artes de acender o fogo, de preparar os alimentos, e processos similares de valor prático. Para os povos primitivos, porém, o aspecto importante dessas actividades não é o prático, mas o religioso. Todas essas actividades práticas devem processar-se de modo definido e previamente estabelecidos. Tais métodos precisos e característicos de acção constituem sua religião. E esta, pois, não se relaciona com fases isoladas da vida, mas com as mais comuns práticas.” (Piletti: 1997, 47)

  1. O Animismo

Todos os povos primitivos possuem uma característica comum: são animais. O animismo consiste na crença de que todas as coisas possuem uma alma, portanto para os primitivos, as árvores, as pedras, os animais, etc. possuem alma ou espírito.

Sendo assim, estes povos atribuem a todos os fenómenos que acontecem no seu meio circundante à intervenção dos espíritos amigáveis ou dos inimigos, dependendo do tipo de situação a que estão sujeitas.

As cerimónias de iniciação servem para transmitir aos jovens a explicação do universo e, assim, torná-los capazes de assegurar um satisfatório ajustamento às suas exigências.

  1. Os Primeiros Professores

Para Piletti (1997: 47), eram os feiticeiros, curandeiros, esconjugadores ou homens que consultam os espíritos familiares as pessoas às quais cabia a direcção das cerimónias de iniciação. Estes constituem assim os professores primitivos.

Há, então, um esboço de instituição para o povo em geral, dado pelo sacerdócio e uma instrução mais elaborada e formal dos futuros membros da classe. Estes últimos são os primeiros professores profissionais. Por vários séculos o ensino permanece como um direito especial do clero e, por muitos séculos mais, a educação é orientada e dirigida unicamente por ele. (pp. 48)

  1. A Educação no Antigo Egipto

6.1. Antigo Império: a literatura sapiencial como institutio oratoria

Segundo Manacorda (2006: 11), existe toda uma literatura sapiencial feita de ensinamentos morais e comportamentais. Esta literatura pressupõe a existência de uma verdadeira escola de vida reservada as classes dominantes.

Os ensinamentos mais antigos (séc. XXVII a.C.) contêm preceitos morais e comportamentais rigorosamente harmonizados com as estruturas e as conveniências sociais ou, mais directamente, como modo de viver próprio das castas dominantes. Estes são sempre em formas de conselhos, dirigida de pai para filho e do mestre escriba para o discípulo, e insistem na interrupta continuidade da transmissão educativa de geração em geração. A imutabilidade e autoridade dos adultos são as características fundamentais desta educação.

6.2. Idade Feudal

De acordo com Manacorda (2006: 16), esta educação se realizava com o mestre sentado na esteira e os alunos ao redor dele. Dos ensinamentos aprendidos, os alunos costumavam recitar juntos os textos, um uso destinado a perpetuar-se por milénios.

6.3. O médio império: o escriba e os outros ofícios

A instrução era um facto interno a família, como para qualquer actividade profissional, ou um escriba que está formando seu aprendiz, sempre o considerando como seu filho.

Denota-se aqui a demonstração de uma relação educativa privada, de pai para filho ou de escriba para discípulo, renova relação de ensinamento mais antigos. Aqui o acesso à profissão de escriba apresenta-se para o jovem como uma perspectiva de ascensão social. Aqui temos as letras no lugar da palavra, e, como palavra, também para as letras úteis convém perguntar o que elas significam exactamente.

As letras úteis não são nem seriam as letras belas, na literatura, mas a preparação, se não ao exercício do poder, certamente as funções administrativas do governo.

A progressiva transformação da sabedoria em cultura, isto é, em conhecimento erudito em assimilação da tradição com seus rituais e a correlativa constituição da escola com seus materiais didácticos, os rolos de papiro, é confirmada tanto pelas inscrições fúnebres, como pelos textos literários. (Manacorda: 2006, 21)

6.4. O segundo período intermediário e o treinamento do guerreiro

A passagem da sabedoria para a cultura ou instrução torna-se cada vez mais clara: agora é sábio não quem possui experiência e inteligência e, por isso, está posição de domínio, mas quem conhece a tradição nos livros, adquiriu uma cultura e assimilou a sabedoria dos antigos.

É também de grande interesse neste ensinamento, o longo acesso da educação na primeira infância, com os cuidados maternos que ela importa a amamentação prolongada e os cuidados com as necessidades fisiológicas da criança.

Segue a separação da criança da mãe, para frequentar a escola, que aparece cada vez mais claramente como uma instituição pública, distinta da família.

6.5. O novo império: generalização e consolidação da escola

Do novo império nos vieram testemunhos não somente sobre a educação físico-militar, mas também sobre a instituição intelectual. Podemos considerar esta época como a da generalização da escola, pois nos fornece uma quantidade considerável das chamadas colectâneas escolares, isto é, textos e cadernos de exercícios, contendo hinos, orações, sentenças morais, além de sátiras de ofícios e exaltações dos antigos escribas e do ofício do escriba.

A tradição literária aparece como o grande património a ser assimilado e com que se identificar os autores como modelo perpetuo a ser reproduzido.

Como sempre acontecera na história, à criatividade segue-se a erudição.

6.6. O período demótico: testemunhos egípcios e gregos

Trata-se dos habituais ensinamentos e, além disso, dos achados arqueológicos que constituem o material concreto do ensinamento: óstracos e papiros.

Embora repetidos antigos esquemas, apresenta algumas características peculiares. O título-sumário – início do ensinamento da vida, das lições de saúde.

Aqui tudo está centrado na recomendação certamente antiga, exclusivamente da obediência e da submissão. O outro elemento focalizado é a honestidade no cumprimento do próprio ofício. (Manacorda: 2006, 37)


  1. Conclusão

A educação pode tomar características bastante diferentes, de acordo com o meio, o tempo e as visões sociais.

De acordo com o que acabamos de apresentar, pode-se afirmar que a educação primitiva é resultante dos seus modus vivendi e operandi. Isto significa que a educação é resultado inevitável da imitação. Era através da imitação que os primitivos se transmitiam saberes que posteriormente eram usados pelos mais novos. Eles não se preocupavam em conhecer a ciência, mas sim em conhecer aquilo que estava em seu redor para lhes facilitar a vida. No entanto, eles acabavam por criar práticas que nos dias que correm são fundamentais para as diversas actividades sociais.

A conclusão que se pode tirar deste trabalho é que a educação é um processo progressivo que vem desde os tempos mais remotos e que está a sofrer diversas transformações e aperfeiçoamentos de acordo com as características de cada época.

  1. Bibliografia

MANACORDA, Mario Alighiero. História da Educação – da antiguidade aos nossos dias. 12ª Edição. Cortez Editora. São Paulo. 2006.

PILETTI, Claudino & PILETTI, Nelson. Filosofia e História da Educação. Editora Ática. São Paulo. 1997.

7 comentários:

  1. ola..o teu blog ajudo-me muito a fazer os trabalho da escola.
    parabens,gostei do teu blog,esta muito enterresante.

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  2. parabens adorei este comentario pois me ajudou a desenvolver um paper sobre educacao primitiva

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  3. Olá!
    Vc está de parabéns por seu blog. O mesmo ajudou-me a desenvolver um trabalho bem elaborado para a faculdade.
    Obrigada!

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  4. PARABÉNS!!! Vc é dez!! Teu artigo ajudou muito o meu trabalho para a faculdade. Valeu. Muito obrigado...Lisiane - Capão da Canoa - RS - Brasil

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  5. Parabéns!Salatinho, que DEUS continue te danto sabedoria e te iluminando.esse artigo me ajudou muito na faculdade. fica com JESUS.

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  6. Que Deus te abençoe, pois sua pesquisa ajudou muito no meu trabalho para faculdade.

    Odete - Paulista - PE

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