segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Período de Colonizaçao Portuguesa em Moçambique

INTRODUÇÃO

Este trabalho de história tem por tarefa ser um instrumento útil que ajuda a tornar fácil os estudos, e tornar mais possível e claro os conteúdos presentes no trabalho. O ponto mais legível deste é sobre o período da dominação colonial em Moçambique. Desde que foi iniciado o processo de ocupação colonial, os nossos antepassados impuseram uma forte resistência como a de centro e sul do país com a mais reconhecida “Rebelião de Báruè”, à Conferência de Berlim.

A dominação colonial foi feita por forma a tirar o máximo proveito das riquezas naturais existentes e impondo alguns sistemas muito duros como o trabalho forçado que substituia, os baixos custos, a tecnologia na construção de infraestruturas, no cultivo das produções agrícolas necessárias a exportação.

O trabalho apresenta temas mais complexos como os prazos e a companhia da Zambézia, o impacto do mussoco na implantação da cultura, a economia colonial tiveram maior desenvolvimento na tentativa de conciliar uma explicação por ventura mais adequada.

5.1 A COLONIZAÇÃO EM MOÇAMBIQUE E AS RESISTÊNCIAS

A REVOLTA DE BÁRUÉ

A resistência a ocupação colonial portuguesa em 1904, no território moçambicano foi feita com o surgimento das alianças em 1917 centrada em Barue com objectivo de libertar a sua terra natal, expulsando os portugueses e aqueles que ajudavam a perpetuar o sistema colonial na zona.

CAUSAS DA REVOLTA DE BÁRUÉ

- Recrutamento compulsivo da mão-de-obra e sem remuneração na construção de uma estrada, ligando Tete à Macequece, passando pela terra dos Bárue ;

- Abusos de sipaios aos trabalhadores recrutados em 1914.

PREPARAÇÃO DA REBELIÃO

Nas vésperas da rebelião em virtude das guerras de 1902, esta importante comunidade do Zambeze estava dividida em duas chefaturas : Nongue – Nongue com a capital em Mungari e Matrosa, primo de Nongue, que governava os territórios do sul do interior de Gorongosa.

O aparecimento na cena politica zambeziana de uma jovem de nome Mbuya, Nongue - Nongue para levar a cabo os seus intentos iniciou um intenso trabalho diplomático, visando a formação de uma ampla coligação anti-colonial zambeziana.

INÍCIO DA REBELIÃO

A revolta de Bárue iniciou a 27 de Março de 1917, quando Chemba, Tambara e Chiramba foram atacados e paralelamente os camponeses de Sena e Tonga se soblevaram.

Em Abril os portugueses foram expulsos de Massangane, Cheringoma, Gorongosa e Inhaminga. Instalaram-se na companhia de Moçambique. Os Barue cercaram Tete, Zumbo estimulando outros povos ainda oprimidos (sobretudo os do sul).

5.2 O COLONIALISMO PORTUGUÊS EM MOÇAMBIQUE (1890 - 1930)

Chegaram a Moçambique muitos portugueses nos séculos XVI, XVII, XVIII e XIX. Inicialmente comerciantes para tentar obter ouro, marfim e os escravos, e vinham acompanhados de missionários, que por sua vez construiram igrejas e ensinaram a religião católisa e ocuparam melhores terras.

Alguns chefes aliaram-se aos portugueses. Isto permitiu que os portugueses iniciassem a exploração do nosso país.

Nos finais do século XIX, Portugal enviou para Moçambique mais soldados e poderoso armamento para conquistarem e dominarem o nosso território.

Portugal estava interessado na exploração directa das nossas riquezas – o ouro, o marfim, o algodão, o tabaco e a cana-de-açúcar.

Desde 1890, a única maneira de evitar tal situação era uma acção militar rápida para estabelecer a autoridade política portuguesa em Gaza, devido a resistência dos moçambicanos.

Em Novembro chegaram, por mar, tropas portuguesas e o delegado do rei, António Enes tomou a direcção politica e militar em Janeiro de 1895.

5.2.1 AS PREMISSAS POLÍTICAS

A situação politica colocava sérios entraves ao recrutamento das populações embora fosse necessário a remuneração do campesinato.

Na politica colonial os régulos e sipáios eram utilizados para tirar os camponeses de força dos seus trabalhos particulares e obrigados a trabalharem nas plantações, para pagar o imposto elevado.

5.2.2 PAPEL ESPECIFICO DE PORTUGAL NA PENETRAÇÃO CAPITALISTA EM MOÇAMBIQUE

Portugal participou objectivamente interessada na “corrida imperialista”tendo partido da sua condição de “potência menor”, nos conflitos entre as grandes potências, recusa desta em aceitar que qualquer delas obtivesse uma hegemonia territorial ou estratégica.

Portugal surge como mediador entre os imperialistas na procura do lucro colonial e recursos humanos e naturais nas colónias.

Mas como essa realidade efectiva só pode, ao que pensamos, ser integralmente explicada sobre as colónias.

Por tanto Portugal, manteve as colónias onde ja tinha interesses mercantis desde o século XV e, porque estava interessado em explorá-los.

O apadrinhamento e o jogo de alianças constituiram dois momentos mutuamente condicionados e historicamente correspondentes ao estado de evolução capitalista portuguesa.

O intermediário atento da exploração imperialista, Portugal nela participou fazendo lucrar e lucrando.

Da “luta militar” transitou-se progressivamente para a “luta de capitais” e a de “investimento”. Desta luta retirou, Portugal, o lucro crescente ao desenvolvimento do seu modo capitalista de produção e, por consequência, ao seu maior e directo envolvimento na exploração capitalista das riquezas de Moçambique.

5.2.3 OS CONFLITOS IMPERIALISTAS E A PARTILHA DE ÁFRICA

A delimitação das fronteiras na África foi deliberada na Conferência de Berlim, que não resolveu no terreno essa delimitação das fronteiras entre as potências estrangeiras.

A partir de 1888, Portugal tinha outros objectivos, sendo um deles alugar os territórios que lhe pertenciam à outras potências.

Para Moçambique, só foi possível resolver o conflito fronteiriço em 1891 quando se assinou um tratado entre Portugal e Inglaterra, marcando um aspecto muito importante segundo o historiador Lissen.

A questão da fronteira sul ocidental resolveu-se com maior rapidez. No século XVII regista-se o conflito entre portugueses, holandeses e australianos na posse da baía de Maputo, tendo se agravado quando William Owen viajou de reconhecimento a baía de Lourenço Marques, vendo como uma porta marítima para a colónia inglesa do Cabo.

Owen propõe que os ingleses se estabelecessem na baía de Lourenço Marques ignorando os direitos históricos de Berlim.

Essa ambição à baía de Lourenço Marques teve as seguintes razões:

a) O acesso da via marítima ao Cabo;

b) A baia de Lourenço Marques tinha reservas de mão-de-obra barata;

c) Pretender controlar todas as linhas de comunicação através do rio Maputo pelo qual os Zulus importavam armas;

d) Os ingleses pretendiam ocupar a região de Transvaal e viam Lourenço Marques como uma posição estratégica.

Portugal manobra o plano britânico, assinando um contrato com o Transvaal em 1869 reconhecendo que a latitude 26º e 30º pertencia a Transvaal, enquanto que os montes Libombos era fronteira com a Swazilândia. O tratado não foi cumprido em ambas partes obrigando a intervenção de medianeiro em 1875. Portugal convidou o presidente da França Mac Mahon. Ele reconheceu a soberania de Lourenço Marques e as áreas adjacentes que devia pertencer a Portugal. Porque Portugal tinha autoridade moral.

Fronteira Centro De Moçambique

Na região de Manica a situação de delimitação de fronteiras foi difícil pelo facto de existir muito interesse de Inglaterra e Portugal devido a fertilidade de terras.

Entre 1890 – 1891, a zona que teve mais conflito foi entre Limpopo até Tete.

Portugal mandou uma expedição comandada por um português chamado Serpa Pinto.

Os ingleses fazem um ultimato a Portugal com o seguinte teor: - o governo português devia tirar as suas tropas da região central ou devia recuar. Senão iria gerar um conflito, o que abalaria em grande medida a Portugal.

Deste modo começam conversações para estabelecer as regiões de Manica e Niassa.

Cecil Rhodes com a sua companhia, British Company, complicava a negociação e em 1890 houve um acordo onde Portugal cedeu a livre circulação dentro do território (região central) sem taxas alfandegárias, sem que sejam mal recebidas pela burguesia portuguesa instalando-se uma nova crise entre Portugal e Inglaterra por Portugal não ter ratificado os acordos.

Portugal propôs um modo vivendi assinada a 14 de Dezembro de 1890.

Mais tarde, em 1891 fez-se um novo acordo, Portugalm envia António Enes para Moçambique com a missão de colocar a autoridade portuguesa em todo o território moçambicano.

5.2.4 A OCUPAÇÃO MILITAR PORTUGUESA E A RESISTÊNCIA AO COLONIALISMO

A penetração portuguesa nas zonas do interior fez-se de várias formas. Os portugueses começaram por fazer amizades com os Mwenemutapas, o que lhes permitiu fixarem-se nessas zonas e aí organizarem-se em feiras.

Em cada feira havia um chefe militar português que se designava por capitão. Este tinha de ser aceite pelo Mwenemutapa. As vezes as amizades eram resultantes do apoio que os portugueses davam a alguns Mwnemutapas nas lutas contra os Mambos revoltosos.

Estes autorizavam os portugueses a circular e a fazer comércio no seu império.

O Traidor Gatsi-Rusere

No início os colonialistas portugueses encontraram uma forte resistência dos moçambicanos.

Todavia, alguns Mwenemutapas trairam a resistência heróica do nosso povo. Essa traição provocou revoltas e lutas internas como a de 1596, em que Mambos de Quiteve e Manica se revoltaram contra o Mwenemutapa Gatsi-Rusere, o qual permitiu a entrada e fixação dos comerciantes e militares portugueses.

Em 1597 e 1599, outros Mambos apoiaram a revolta de Quiteve e Manica contra o traidor Gatsi-Rusere. Este vendo-se incapaz de enfrentar sozinho uma revolta, pediu apoio militar aos portugueses.

Em 1607, Gatsi-Rusere venceu os chefes revoltosos e os portugueses, por sua vez, exigiam-lhe a entrega de melhores terras e de todas as minas de ouro, cobre e estanho.

Assim, em 1608, o Mambo de Bárue, Mutusianhe, revoltou-se e desencadeou uma grande guerra com Gatsi-Rusere. Mutusianhe tornou-se então o novo chefe do império. Em 1623, Gatsi-Rusere sofreu várias derrotas infligidas pelos outros chefes até a sua morte.

Em 1628, Mazura tio de Caprazine, tornou-se Mwenemutapa com auxilio dos portugueses. Mazura voltou a entregar as minas de ouro, cobre, prata e estanho aos portugueses, permitiu que construissem igrejas e que ensinassem a todos os habitantes do império a religião católica.

Este trouxe grande sofrimento no seio dos camponeses. O trabalho nas minas ocupava muito os camponeses, obrigando-os a abandonar as suas machambas e aumentando assim a fome. Os camponeses revoltaram-se contra o Mwenemutapa Mazura.

Em 1693, Changamire 2º, Mambo de Butua, com apoio de outros mambos e dos camponeses, expulsaram os colonialistas portugueses das terras de Mutapa e foi escolhido para um novo Mwenemutapa.

A Resistência No Sul De Moçambique

No início do século XIX, Lourenço Marques era uma pequena povoação onde viviam alguns comerciantes portugueses e as suas famílias e um governador representando o rei de Portugal. Este obrigava a população a pagar imposto que se chamava de “imposto de palhotas”.

Com a expulsão dos soldados portugueses levou o governo de Lourenço Marques a procurar aliança junto dos chefes das povoações vizinhas que aceitaram pagar imposto.

Em 7 de Novembro de 1894, deu-se a batalha de Coalela. Os portugueses organizavam-se para o ataque em forma do quadrado, esta chamava-se de táctica de quadrado. Em 28 de Dezembro de 1895, os portugueses atacaram a capital do império de Gaza (Manjacaze), nesta batalha os portugueses utilizaram metralhadoras, cavalos e chefiados por Mouzinho de Albuquerque. O Ngungunhane, imperador de Gaza, e Matibjane, chefe de Zixaxa, foram presos e deportados para a Ilha de Açores (Portugal) onde vieram a falecer.

Continuando os portugueses no território, a luta de resistência contra os colonialistas também continuou com o novo chefe Maguiguane. Este resistiu heroicamente aos portugueses, organizou revoltas populares atacando com sucesso os postos militares dos portugueses.

Em 8 de Agosto de 1897, deu-se a batalha de Macontene. Nesta batalha os portugueses utilizaram metralhadoras, cavalos, sipáios. Os nossos guerreiros utilizavam lanças, setas, e espingardas de carregar pela boca.

A Resistência No Norte De Moçambique

também no norte de Moçambique houve forte resistência do povo à ocupação colonial portuguesa.

Dese 1895 até 1940 foram travadas violentas e sucessivas batalhas. Os principais chefes que se destinguiram foram Mocutu-Munu e Ibrahim (Monapo e Ilha de Moçambique).

Os Namarrois, povo desta região utilizavam uma táctica diferente dos guerreiros de Gaza, eles utilizavam a emboscada que consistia na maior movimentação dos guerreiros em puequenos e grandes grupos. Aproveitavam as montanhas, árvores e capim alto para se esconder e atacavam de surpresa os colonialistas portugueses.

A emboscada atrapalhava muito os soldados portugueses, por isso sofreram constantes derrotas.

As guerras dos Namarróis começou em Outubro de 1896 e depois de defendidos os combates por onde participaram travadores do norte e sul com apoio de Mouzinho de Albuquerque.

Outros chefes destacados são: Farlahi, de Angoxe, Mataca, de Niassa, e Mussa-Quanto, de Nampula.

Farlahi e outros chefes de Monapo e da Ilha de Moçambique alcançaram sucessivas victóris em batalhas sangrentas. A principal batalha foi no quartel de Parapato em 1905 e distribuição de vários quartéis portugueses até Mongicual.

Farlahi foi preso em 1910 e foi deportado para a Guiné onde veio a morrer em 1918. também em Cabo Delgado, os guerreiros do Planalto de Moeda resistiram heroicamente até 1920.

A Resistência No Centro De Moçambique

Na região centro, antigos prazeiros e chefes de Báruè resistiram de modo tenaz durante muitos anos chefiados por Cambuemba.

Cambuemba foi derrotado em 1902 quando os portugueses utilizaram um grande número de soldados, metralhadoras e canhões. Em 1917 os colonialistas portugueses obrigaram a população a participar na construção de estradas e a alistarem-se no exército português. A este descontentamento chamou-se a Rebelião de Báruè.

A população de Báruè, Tete, Manica e Sofala revoltaram-se contra estas decisões durante cinco anos, os portugueses não conseguiram derrotar o povo de Báruè.

NB: A superioridade das armas dos portugueses e a falta de união entre os Moçambicanos e a traição de alguns chefes fraqueceu a heróica resistência do nosso povo.

A ocupação efectiva de Moçambique prolongou-se até 1920.

Não obstante as lutas de resistência contra o colonialismo português continuaram sob diversas formas até a independência.

5.2.5 A MONTAGEM DO ESTADO COLONIAL. GARANTE DO FUNCIONAMENTO DA ECONOMIA COLONIAL

fracassada a resistência por falta de unidade e armamento tecnologicamente avançado o governo colonial montou um aparelho de Estado para oprimir e reprimir a população.

Dividiram o país em distritos e estes em circunscrição e conselhos. As circunscrições foram divididas em postos.

Os distritos tinham governadores que controlavam os administradores e as suas ordens.

Os administradores eram ajudados pelos régulos na cobrança de impostos, tributos, recrutamento de trabalhadores para as plantações e para as minas, recrutamentos de homens para o exército.

- Detenção de pessoas para o xibalo.

O sipáio era para reprimir a população, ajudando os administradores e os régulos. Os régulos cobravam uma taxa aos mineiros e recebiam uma quantia por cada problema que resolviam.

Para o funcionamento da economia colonial estava baseada nas plantações cujas culturas estavam viradas para o mercado externo, algodão, cana-de-açúcar, coqueiro, borracha e outros.

Para plantar, sachar, cortar, extrair, transportar para as fábricas e processamento industrial, carregamento de navios era utilizada a força braçal, pois não havia máquinas. O colono fazia recenseamento distribuindo cadernetas para controlar o pagamento de impostos e trabalho forçado.

A mão-de-obra era importada para África do Sul e Rodésia do Sul.

A mão-de-obra barata era também utilizada na carpintaria, serralharia, metalurgia, construções públicas, oficinas de reparação de barcos e tinham como dirigentes os estrangeiros.

5.3.3 ACÇÃO DO ESTADO COLONIAL E A TRANSFORMAÇÃO DAS PLANTAÇÕES, SURGIMENTO DAS COMPANHIAS

o estado colonial estava virado a exploração das plantações e através das culturas obrigatórias.

Nas plantações haviam muitas tarefas diferentes: depois da colheita, os produtos tinham que ser transportados para pequenas fábricas onde eram transformados e embalados, e eram transportados para a Europa.

O trabalho nas plantações era muito duro, os trabalhadores eram mal alimentados, salários pagos mal chegavam para pagar o imposto de palhota.

A exploração do nosso continente assentou-se mais sobre os camponeses.

Muitas potências aproveitavam-se da mão-de-obra barrata dos camponeses para a produção das matérias-primas de que necessitavam para as suas indústrias.

A introdução de culturas obrigatórias como o algodão, o sisal e outras necessárias ao funcionamento das indústrias europeias em detrimento das actividades de subsistência dos camponeses, foram algumas das formas adoptadas.

Os camponeses eram recrutados para trabalhar na construção de estradas, linhas férreas e outras infraestruturas de apoio ao sistema colonial.

Os camponeses revoltaram-se da seguinte maneira: sabotagem das companhias agrícolas através da fervura das sementes antes de lançá-las à terra, abandono das terras, iam fixar-se longe do controlo das autoridades coloniais.

5.4.1 O SISTEMA TRIBUTÁRIO

o regime tributário instituído no território, uma monografia da Companhia de Moçambique.

O mussoco não era uma institução nova nas relações sociais a norte do Púnguè, era uma estrutura tradicional pré-capitalista. Os excedentes agrícolas para a “elite” prazeira era utilizada para alimentação dos A-Chicundas.

A mão-de-obra, o mussoco e o imposto de palhota não eram simples mecanismos tributários com carácter mais ou menos simbólico, em um objectivo de uma relação social fundamental concreta determinada entre o camponês e o capital, era a dominação capital sobre o trabalho.

O sistema tributário implantado na cobrança de receitas conduziu a evolução do processo político.

Assim, uma alta rentabilidade era assegurada pela manutenção das formas de produção pré-capitalista, as quais permitiram que a força do trabalho fosse produzida fundamentalmente pelo sector familiar, reservando-se ao sector capitalista.

5.4.2 A POLÍTICA CONCESSIONÁRIA

Em muitas partes de África os governos europeus usaram asCompanhias Concessionárias para explorar os impérios recém-conquistados. Por esse sistema as companhias privadas eram concedidas várias terras africanas para explorar os seus próprios recursos em nome da potência colonizadora. Os britânicos usaram este sistema na Nigéria e na Rodésia com a British Southern African Company (BSAC), Imperial East African Company (IEAC) na África Oriental.

No nosso país são conhecidas as Companhias de Niassa, da Zambézia e de Moçambique.

A Companhia da Zambézia arrendava prazos na Zambézia e em Tete, bem como parte de Tete e da Zambézia estavam sob controlo directo de Portugal.

Em contrapartida, o governo português reserva-se o direito de receber percentagem dos dividendos distribuidos.

Os arrendatários dos prazos tinham de entregar uma parte do mussoco cobrado.

Pode-se, contudo, dizer que as companhias não foram muito sérias na sua dominação, a maioria destinava-se aos interesses individuais, daí que as resistências dos povos africanos nos finais do século XIX tivessem levado a falência de muito delas.

As companhias concessionárias foram igualmente usadas durante o período de expansão dos alemães, franceses e portugueses.

5.4.3 A POLÍTICA LABORAL

A acção na esfera produtiva resultou no desenvolvimento de novas formas de produção e numa transformação das relações de produção. Esse longo processo caracterizou-se na essência pela progressiva dominação de Manica, Sofala e Companhia de Moçambique.

Foi a subordinação de trabalho as necessidade de acumulação do capital produtiva que rompeu com as antigas relações de produção dominantes das formas pré-capitalistas permitindo assim o desenvolvimento do capital colonial. A passagem da história pré-imperialista para a era imperialista por excelência recorda-nos o que disse Marx: nas colónias o modo de produção e de apropriação capitalista choca por toda parte a propriedade, colónia do trabalho pessoal, contra o produtor que dispondo das condições exteriores do trabalho se enriquece a sí mesmo em vez de enriquecer ao capitalista. Se o capitalista se sentira apoiado pela potência da mãe-pátria procura afastar-se violentamente do seu caminho à perda do tropeço.

O capitalismo colonial só se podia desenvolver através do domínio e exploração do trabalho assalariado nas plantações “farms”; nas explorações minerais ou noutros sectores da economia colonial que foram necessários desde o início, uma violência extra-económico capaz de arrastar a força do trabalho do campesinato do território para o trabalho remunerado e, também o trabalho forçado. A situação política e militar prevalecente nos anos que imediatamente se seguiram a criação da companhia, colocava-se sérias entraves ao recrutamento da mão-de-obra embora as necessidades fossem ainda modestas, dada a pouca transformação sofrida pela economia no sector produtivo e a fraca implantação da administração no território. O campesinato que encontravam na produção doméstica uma fonte de rendimento suficientemente remunerativa para as suas necessidades manifestava-se pouco receptiva as solicitações do mercado de trabalho.

Tornava-se necessário assegurar o fornecimento a preços baixos para garantir o desenvolvimento da economia colonial.

Neste sentido achou-se conveniente centralizar o recrutamento e a distribuição da mão-de-obra. Contribuiu para o efeito a criação em 1895 da inspecção geral dos negócios indígenas repartição central responsável pela direcção superior de todos os assuntos relativos com as relações com a produção africana, cobrança de imposto, fornecimento de trabalhadores para os serviços da companhia de particulares bem como a relação com chefes africanos.

A submissão ao poder colonial associava-se a obrigação de prestação de trabalho a companhia como tributo, como por exemplo as explorações militares que operavam nos vales de Buzi e Save, em 1896 puseram a disposição da companhia cerca de mil trabalhadores.

O crescimento da economia colonial com o desenvolvimento das plantações e “farms”, da exportação mineira e como o aumento da actividade do Caminho-de-Ferro e no Porto da Beira nos anos 1900, exigia com mais permanência a definição da política laboral mais adaptadas as crescentes necessidades coloniais. A companhia já controlava extensas áreas de produção de borracha, coqueiros e milho e unidades de produção de tijolos, cal e lenha. A partir de 1904, as plantações e as minas de Manica começaram a expandir-se para áreas, ao mesmo tempo que cresciam as “farms” ao longo do caminho-de-ferro.

Em 1907, entrou em vigor a principal legislação de trabalho aprovado pelo governo português para o território, nomeadamente: o regulamento geral do trabalho dos indígenas no território da Companhia de Moçambique, regulamento para o fornecimento dos indígenas à particulares no território de Manica e Sofala, e regulamento para o recrutamento de indígenas de Manica e Sofala.

CONCLUSÃO

Trata-se de um trabalho de história pela sua natureza de dominação colonial trouxe muito impacto negativo para o desenvolvimento de Moçambique.

É de saber que a dominação colonial também teve uma influência na história de Moçambique porque contribuiu de uma forma que o povo estivesse livre do colonialismo. Com algumas revoltas feitas pelo povo e alguns chefes regionais embora relativamente violentas, tiveram um importante contributo para que os colonialistas aceitassem a independência dos nossos povos.

Neste sentido, todas tragédias e batalhas feitas subescrevem a dominação colonial rejeitadas. A acção do Estado colonial e a transformação das plantações surgimento dos camponeses é representada nos temas deste trabalho.

29 comentários:

  1. Texto interessante pelo conteúdo factual, mas ainda muito imbuído de "dialéctica" marxista-leninista, totalmente desadequada para a interpretação da realidade do imperialismo dos finais de oitocentos.

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  2. Oi..achei interessantissomo o texto, tanto que gostaria de saber como alguem distante pode fazer ritos de iniciacao, em Maputo existe algum centro?? ou existe alguem que pode-se contactar para o efeito? se puder ajudar, agradeco.

    Tenho 22 anos e quero conhecer e tradicao.

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  3. Bom Trabalho Caro estudante!


    http://vozdenampula.blogspot.com/
    Raul Novinte

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  4. gostei dessa materia. contnua a escrever e mais força SALATINHO

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  5. Salatinho, adorei bastante ler as informações e da materia referente a historia de Moçambique, força e publique sempre que possivel

    Loisse Diego

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  6. quero em algum momento fazer parte do seu blog

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  7. Diocleciana Mandlateter jul 10, 08:28:00 AM

    Gostei de ler o que escreveu sobre nossa historia, forca e continue escrevendo sempre que possivel, nos precisamos de saber mais sobre nos

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  8. Alo meu amigo Salatinho,eu sou moçambicano, fazendo faculdade no Brasil e achei muito interessante seu poste porém faltou as fontes de onde você tirou e pesquisou esse assunto.Obrigado.

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  9. Deny sexta 10 de julho 2012
    oi gostei da matéria,faltou as companhias de Mocambique

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  10. valeu,avante meu irmao!

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  11. Bonito trabalho meu irmão voce escreveu o que todos nós precisamos fazer mas faltou identificar o livro ou outra fonte qu e usou para adquirir esta informação... Força e nunca se canse de postar.

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  12. Este comentário foi removido pelo autor.

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  13. Boas novas, o teu artigo me ajudou a fazer um trabalho de História da 10ª classe sobre a Resistência do povo Barúe.!................
    Parabens Publique mais.

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  14. Sábia contribuição no mundo litrário, principalmente quando se narra história de um país como nosso.força salatinho

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  15. o post foi bem escrito...mas o seu nacionalismo exagerado tirou a imparcialidade deste post,leia e aprenda,porque o colonialismo trouxe-te muita coisa de bom e de mau...até o nosso mapa actual é fruto do colonialismo,sua forma de ser,de pensar,de vestir...vou deixar bem claro que sou mocambicano!!!

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  16. Gostei da iniciativa a matéria ajudou me fazer o trabalho de escola. forca

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  17. Moçambique precisa de jovens como você, gostei da matéria forca, sucessos na vida. espero ver mais publicações deste tipo, com historia de Moçambique.

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  18. pucha a vida,gostei um pouco de tudo,sou um letrado ou seja tou a fazer letras,sou finalista,penso que faltou mais unidades a debrucar,espero eu criar um blog pork tenho muita informacao k faltou fui,podem me contactar pelo fb"ALBERTO WATINO MACAMO"BJS PARA TODOS!!!!!!!!!!!!!

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  19. gostei da iniciativa e de congratular também a forca e coragem para a elaboração deste projecto. Gosto muito de debater assuntos literários, se quiserem contactar para uma conversa nos parâmetros da literatura, o meu contacto: 827009107

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  20. Respostas
    1. De facto. Assim nao se sabe se toda a informacao e' da sua autoria ou foi extraida de alguma literature.

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  21. Valeu mano este trabalho deu uma ajuda mas faltou a referencia bibliografia.

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  22. gostei do seu trabalho , continua PB mais....

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  23. Gostaria de saber que corrente esta presente nestas informacoes. Nao acha que em algum momento pode ter favorecido uma determinada coligacao nessa informacao? So indaguei.

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  24. Epah na escola deram me este trabalHo pensando em ti

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  25. Estas de parabéns, recordei me da nossa história algo que é nossa bagagem para as matérias futuras.

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  26. bm trabalho amigo.. gostei. tirei algo deste texto para o enxame.

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